Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008
Ai mãezinha!

 

No outro dia, a Maria Antónia do Londres disse-me que podia ficar a ver o filme depois da limpeza entre a sessão das 21h45 e da meia-noite. Como o Alfredo só deslargava o turno às duas da manhã, lá lhe disse que sim e sentei-me numa cadeira vazia. Não sabia o que ia dar mas percebi que devia ter qualquer coisa para a família ou para os namoradinhos peganhentos porque a sala estava cheia com essa laia. Mas estas crienças não têm mais nada que fazer a não ser ver filmes a hora em que já nem o senhor do Adeus está na rua a acenar?!

 
Olhei para o chão e fiquei arreliada. Não tinha apanhado as pipocas entre as filas E e F.
 
Então não é que se me começa a aparecer a música daqueles suecos ricos dos anos 70! A Sôdona Esmeralda que eu limpo à quarta de manhã ainda lá tem daqueles discos grandalhões deles. Eu cá aprecio particularmente aquela canção sobre a rainha do baile que anda à procura de um homem com quem passar a noite.
 
Vamos lá ver, gostei, mas com a prática de espanador que tenho, até eu era moça para mexer melhor naquela câmara. Lá para meio, aquela senhora principal que nunca faz nada mal (como é que ela se chama?), qualquer coisa Stripas, cantava e dançava           que nem os membros do rancho de Vila Nova das Cerveiras. Agora, aquela casa das cabras que eles lá têm bem que precisava da mão da Adília para uma boa faxina.
 
E o outro, que já foi James Bond e agora acha que sabe cantar? Senhores, até a minha gata tem melhor voz em dias de cio.
 
Mamma Mia, era assim que se chamava. A família de cinco na fila H, lugares 10 a 14, bateu palmas no fim. O miúdo mai novo esperneou. Eu cá gostei, cantei, lembrei-me de quando eu ainda limpava o chão no Condes em mil nove e setenta e seis.
 
Adília, a mulher-a-dias


publicado por CahiersDasSopeiras às 11:56
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Haverá Sangue?

Haverá Sangue?

 

Ontem à noite, enquanto via o programa da Teresa Guilherme (também eu quero um genro que me apoquente debaixo da saia) vi que o meu Ricardo tinha deixado um DVD em cima da mesinha da sala, debaixo do catálogo D-Mail. «Haverá Sangue»? Isso era o que a minha mãe me dizia quando me tentava explicar o que ia acontecer na primeira noite com o Júlio. «Porque raio miúdo copiou um filme destes?», pensei para os botões da bata.

           

Aproveitei o intervalo entre a Teresa e «A Favorita» para meter aquilo a dar. Acabei por ficar a ver até ao fim, já o Júlio tinha vindo das putas e o Ricardo vindo perguntar se sabia das cuecas dele.

 

No fim estava estafada. Já não ficava assim com os bofes de fora há uma catrefada de meses, quando tive de andar a arrastar os joelhos na carpete da Josefina, salvo seja, para a limpar. Doeu-me ver aquele senhor com ganância até nos dentes, sem conseguir rir a sério, a levar tudo à frente e a sujar a roupa toda com petróleo. Nem uma lixívia das boas lavava aquela roupa. E aquele homem.

 

Mas há uma coisa que me meteu ainda mais dó…

 

O senhor de bigode com manias de petroleiro passa o filme todo (e vamos a ver, aquilo ainda são uns bons anos) sem molhar o pincel. Até para ter um filho o homem tem de ficar com um órfão. As únicas bolas que o vejo a mexer o filme inteiro são de bowling. Chateia-me já que aqui a Maria Rosa tem de levar com um homem eriçado todas as noites.

 

Angustia-me, o que é que querem?

 

Maria Rosa, a Sopeira 


sinto-me: Doem-me as cruzes

publicado por CahiersDasSopeiras às 09:55
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