Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008
Ceguinhos sem bengala nem cão?

 

 

O meu Alfredo gosta é de filmes daqueles em que o actor principal roda a perna até à testa antes de mandar desta para melhor o bandido com quem está a lutar mas, como lá no serviço lhe disseram que havia um filme sobre ceguinhos que ia buscar uma ideias a um velhinho português que parece que ganhou aquele prémio sueco que há da literatura, da paz e da química, o homem lá decidiu dizer adeus aos dez euros dos dois bilhetes e ir ver. O que ele queria mesmo era comer um valente balde de pipocas.

 

Aqui a Adília depenicou um bocadito no milho açucarado na primeira parte do filme, em que eles, está certo, estão pitosgas mas andam asseados. Agora, oh senhores, quando os actores lá vão para aquele manicómio que mais parece uma pocilga a fazer lembrar o quintal da Maria Odete, a Adília ficou para sair da sala de cinema. Então mas mesmo ceguinhos, não sabiam agarrar numa abençoada duma esfregona e limpar aquela lavasqueira para não andarem a tropeçar em cocó? Mais, quando os homens da camarata lá dizem aos outros que se querem comidinha têm de mandar as mulheres fazerem o que Deus as pôs cá para fazer, não tinha sido bem mais jeitoso se a orgia tivesse ocorrido numa sala limpa à maneira da Adília?

 

Há uma coisa que não se me sai da cabeça depois de ter visto lá o ensaio sobre os ceguinhos. Então mas estão ceguinhos e ninguém lhes dá uma bengalita ou um canito daqueles que têm GPS? E depois, se estão todos ceguinhos porque é que há uma criatura (e só uma) que vê? Coitada de mulher. No fim bem que merecia umas férias nas termas de São Pedro do Sul.

 

Pronto, mas a Adília desculpa porque a Adília sabe bem que aquilo é lá a sacana da alegoria e que é tão difícil filmar aquilo como tirar uma mancha de gordura ressequida do fogão.

 

Quanto ao Alfredo, chegou a casa e quis ir ver um filme daquele louro americano que dá pontapés no ar. O não sei quê Norris.

 

Adília, a mulher-a-dias



publicado por CahiersDasSopeiras às 18:02
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Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008
Filmes à machadada

O homem desata à machadada a tudo o que mexe e não mexe

 

Há umas semanas fui fazer umas horas à Cinemateca. A Isabela, a miúda brasileira simpática que mora aqui ao lado, não podia fazer o turno dela lá nas limpezas e pediu-me. «Cê pode fazer?». Então não posso, filha? A vida está má, uma sopeira também limpa chãos e o corpinho aqui da Maria Rosa já não serve para andar a despir e a vestir a saia de meia em meia hora.

 
As pessoas que vão à Cinemateca não sujam muito (mas também não tomam banho) portanto não perco muito tempo nas limpezas (mando só um bocado de Breeze ou Ambi-Pur para o ar). Assim acabo sempre por ter tempo para ver alguma coisa por lá.
 
Tenho a dizer que já não ficava com tanta pele de galinha desde os tempos do «Bar da TV». E no fundo é a mesma coisa: aqui o homem ruim fica um bocado maluco depois de ficar muito tempo fechado numa casa e desata à machadada a tudo o que mexe e não mexe.
 
A mulher dele grita muito e está sempre a abanar os bracinhos e, benza-a Deus, tem razões para isso porque é feia feia feia. Até me deixou agoniada. O filho, sim senhora, sabe andar muito bem no triciclo dele mas com tanta volta naqueles corredores também eu começava a ver gémeas e sangue e tripas e coisas dessas.
 
Já tinha ouvido falar de escritores com problemas para escrever mas nunca imaginei que desse nisto.
 
Resultado do filme daquela noite: fiquei toda desalvorada. No metro tremia, no comboio tremia, a abrir a porta de casa tremia, a vestir o pijama de flanela (que já está um frio que me eriça toda) tremia, e até quando me deitei tremia. Tremia tanto que o meu Júlio teve de me dar uma lambada para acalmar.
 
Pelo menos não foi com um machado…
 
Maria Rosa, a Sopeira

sinto-me: Acagaçada

publicado por CahiersDasSopeiras às 01:24
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