Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008
Filmes à machadada

O homem desata à machadada a tudo o que mexe e não mexe

 

Há umas semanas fui fazer umas horas à Cinemateca. A Isabela, a miúda brasileira simpática que mora aqui ao lado, não podia fazer o turno dela lá nas limpezas e pediu-me. «Cê pode fazer?». Então não posso, filha? A vida está má, uma sopeira também limpa chãos e o corpinho aqui da Maria Rosa já não serve para andar a despir e a vestir a saia de meia em meia hora.

 
As pessoas que vão à Cinemateca não sujam muito (mas também não tomam banho) portanto não perco muito tempo nas limpezas (mando só um bocado de Breeze ou Ambi-Pur para o ar). Assim acabo sempre por ter tempo para ver alguma coisa por lá.
 
Tenho a dizer que já não ficava com tanta pele de galinha desde os tempos do «Bar da TV». E no fundo é a mesma coisa: aqui o homem ruim fica um bocado maluco depois de ficar muito tempo fechado numa casa e desata à machadada a tudo o que mexe e não mexe.
 
A mulher dele grita muito e está sempre a abanar os bracinhos e, benza-a Deus, tem razões para isso porque é feia feia feia. Até me deixou agoniada. O filho, sim senhora, sabe andar muito bem no triciclo dele mas com tanta volta naqueles corredores também eu começava a ver gémeas e sangue e tripas e coisas dessas.
 
Já tinha ouvido falar de escritores com problemas para escrever mas nunca imaginei que desse nisto.
 
Resultado do filme daquela noite: fiquei toda desalvorada. No metro tremia, no comboio tremia, a abrir a porta de casa tremia, a vestir o pijama de flanela (que já está um frio que me eriça toda) tremia, e até quando me deitei tremia. Tremia tanto que o meu Júlio teve de me dar uma lambada para acalmar.
 
Pelo menos não foi com um machado…
 
Maria Rosa, a Sopeira

sinto-me: Acagaçada

publicado por CahiersDasSopeiras às 01:24
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2 comentários:
De Emília Maria a 27 de Novembro de 2008 às 02:24
Também fui ver esse filme, nessa mesma sessão.
Essa fita é tão antiga que já deve estar à venda no líder.

Este blog emana kitsch e bizzaria com sabor a pataniscas de bacalhau num tupperware com a tampa disfuncional. Tudo num estilo retro muito divertido! Gosto, gosto mesmo.

Emília Maria


De Maria Araújo a 2 de Fevereiro de 2009 às 00:06
O seu Júlio deve ser um homem gentil.
Sabe tratar bem quem muito trabalha a limpar as salas de cinema.
E é bem merecida a lambada. Aquece os ânimos.
Beijinho


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