Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009
Cuidado com as estrangeiras no cio

 A mim ninguém me convida para piqueniques destes...

 

Quando era gaiata, duas amigas lá da terra tentaram-me a ver se eu ia passar uns dias fora da vila. Estávamos de férias e aquilo pareceu-me bem melhor do que ficar aquele tempo todo a ajudar a minha mãe nas limpezas ou a atender velhos rançosos na «taberna» do meu tio.

 

Com muita pena minha, mal falei disso ao meu pai acabei na cama a chorar com a bochecha vermelha da bordoada que levei. Já a Dulce e a Rosário, que não tinham pais que lhes dissessem «cheiras a rameirice e nao é pouco!», lá foram... e voltaram. Cheias de histórias para contar durante um ano e sem os três, mas na mesma, pobrezitas.

 

As duas badalhocas do filme que fui ver a semana passada também devem ter voltado lá para a América cheias de histórias, porque aquilo foi um forrobodó daqueles... O filme começa com as duas moças, a Vicky e a Cristina,  a chegarem a Barcelona para passar umas férias.

 

Estava um calor que não se podia e, quando o tempo está assim não há nada a fazer: é cowboyada na certa. O realizador também não deixa a gente se angustiar muito e passados uns minutos já aparece um tipo espanhol armado em macho latino a querer saltar-lhes para cima da cueca. E ao mesmo tempo ainda por cima. Benza-o Nossa Senhora de Fátima, que a gente até aprecia senhores com à vontade e sem panconices.

 

E pronto... Uma arma-se em esquisita, ai que não quer, que se vai casar, mas é logo a primeira a provar o bocadillo do engatatão. A outra, que não gosta de se armar em pobre e mal agradecida, também não lhe fica atrás e vai logo para casa do senhor de malas e bagagens. (E que bagagens! Que uma coisa não se pode deixar de dizer mesmo que me chamem de lésmica, ou lá o que é. Já não se via um filme com tanto par de mama tão grande, tão natural e saudável desde os filmes marotos das Vixens).

 

Um pandemónio. Uma menina certinha que quer estar casada mas não quer (o que a gente a compreende...), outra que quer alguma coisa mas não sabe bem o quê (a gente compreende, mas menos...), uma ex-mulher passada dos cornos que aumenta ainda mais a sem-vergonhice do filme...

 

No final, fiquei com um sabor um piquinho amargo na boca. A gente até se ri daquilo tudo mas dói um bocadinho ver aquela gente tão desorientada a passar por tanto. E depois a acabar tudo na mesma... como na história das minhas amigas, mal acomparado.

 

Maria Rosa, a Sopeira

 



publicado por CahiersDasSopeiras às 19:34
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1 comentário:
De lytha a 18 de Fevereiro de 2009 às 12:45
Tenho curiosidade em ver esse filme e posto assim ainda aguça mais...
Foi-me pedido que indicasse 10 blogs da minha preferência aos quais atribuísse o selo “Olha que blog Maneiro!”; por isso e porque este é um dos blogs que leio regularmente e com agrado, ele faz parte da minha lista de nomeados.


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